XP REBEL: Imersão em solidão serena

Abzû entrega experiência cativante em ambiente marinho

por Leonardo Lima, designer multimídia e professor de ensino superior

A edição de 2021 da iniciativa Play at Home, da Sony (que libera o download de jogos selecionados como incentivo às medidas de isolamento social para prevenção ao novo coronavírus), deu nova visibilidade ao game Abzû (2016), do estúdio estadunidense Giant Squid.

No game, o jogador assume o papel de um mergulhador, podendo explorar ambientes subaquáticos (e alguns acima d’água) repletos de vida vegetal e animal. Existem também indícios de uma civilização submersa, da qual restaram artefatos tecnológicos e ruínas de  imensas construções, de arquitetura médio-oriental. Explorando a mitologia suméria da deusa do oceano Tiamat e do deus da água doce Abzu, que se unem para formar toda a vida, o jogo busca incorporar significados na construção do jogo, enquanto introduz lentamente o combate do mergulhador aos artefatos tecnológicos que prejudicam o meio ambiente.

O ponto de maior destaque na experiência proposta por Abzû se dá no campo do sensorial. O mergulhar se traduz em cenas repletas de uma grande variedade de formas e cores da vida marinha. Efeitos de iluminação volumétrica criam uma atmosfera e unem visualmente os elementos do cenário. A luminosidade trabalha em conjunto com a trilha sonora orquestrada. Esta se faz presente em toda a jornada, pontuando e conduzindo a sensibilidade. O controle da personagem exige acostumar-se ao tempo de reação embaixo d’água e faz com que o mover-se pelo ambiente seja sentido pelo jogador.

É impossível não fazer comparações com Journey (2012), produzido pelo estúdio Thatgamecompany. Matt Nava atuou como diretor de arte na produção de ambos os títulos e podemos perceber seus traços na simplicidade dos modelos, na clareza das silhuetas e na inspiração em épocas remotas. O elemento que se revela mais presente em ambos os jogos é a experiência do deserto, mas nisto são duas experiências bastantes distintas. Journey balanceava o vazio com o encontro de outras pessoas (jogadores pareados via internet) que o amparavam durante a jornada. Abzû, apesar da ambientação repleta de espécies da vida marinha, desperta o sentimento de uma solidão serena. Entre as diversas criaturas e alguns artefatos deixados para trás por uma civilização antiga, o jogador é o único de sua espécie e pode se relacionar com seres e dispositivos de maneira bastante restrita. Em Journey a conexão se dá entre pessoas, em Abzû a conexão possível é com a máquina.

No mergulho de cerca de duas horas, o jogador é convidado a tomar parte numa jornada que, apesar de bastante linear, é cheia de descobertas e produzirá transformações sensíveis em seu ambiente. Ainda que as escolhas do jogador não tenham qualquer efeito sobre os elementos do mundo subaquático, é uma experiência cativante e na duração correta para que o encantamento não se dissipe.

Você pode jogar Abzû nas plataformas Microsoft Windows, PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch.

Experiência REBEL são lembranças, impressões e anedotas de associados e amigos da Rede Brasileira de Estudos Lúdicos. 

Quem você gostaria de ouvir nesta seção? Comente aí com #xpREBEL!

#ArtGame #rebeludicos #xpREBEL #Abzu

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *